Entenda o que é taxa Selic e veja o seu efeito no dia a dia

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Dois imponentes e sofisticados prédios com fachada de vidro se mantêm lado a lado, como se estivessem conversando lá nas alturas, com o topo tão perto do céu. A ideia é fazer uma analogia com os poderosos bancos, que se entendem entre eles, longe do que acontece na rua com as pessoas. Os bancos praticam elevada taxa de juros.
A taxa Selic é a média dos juros cobrados nos empréstimos que os bancos fazem entre eles, por um dia, quando necessário.

A taxa Selic é usada para controlar a inflação, a quantidade de dinheiro que circula no mercado e ainda mexe com a sua vida.

Essa taxa de juros é definida pelo governo. Sua origem está ligada ao depósito compulsório que os bancos têm de fazer todo dia numa conta do Banco Central.

Descubra o que é a Selic, como é formada e por que você deve ficar atento à sua variação.

A taxa Selic é a média da taxa de juros nos empréstimos realizados entre os bancos

Os bancos pegam dinheiro emprestado todos os dias. Essa operação é realizada entre eles quando precisam completar o valor mínimo que deve ficar na conta após fazerem o depósito compulsório. Tais quantias são pagas no dia seguinte, com juros de um dia, e a média desses juros é chamada de taxa Selic.

Na verdade, trata-se de uma sigla que significa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. O nome pode até ser complicado, mas vou explicar de forma bem simples como funciona toda essa dinâmica financeira.

No final do texto, vai entender o assunto sem nenhum problema. Vamos lá.

Você já ouviu falar que só uma parte do dinheiro colocado nos bancos fica com eles? É verdade. Uma porcentagem dessa grana é depositada no fim do dia numa conta especial do Banco Central. Essa regra existe há muito tempo e também vale em outros países. Aliás, tal transferência é chamada de depósito compulsório.

Ele foi criado para controlar o fluxo de dinheiro na economia e, assim, ditar o ritmo de seu dinamismo.

Para facilitar o raciocínio, eu te convido para pensar numa situação imaginária.

Tenha em mente uma família formada pelo pai e cinco filhos.

Cada jovem tem sua loja e ganha muito, mas muito dinheiro todos os dias. Então, o pai impõe alguns limites para evitar que façam bobagem ou prejudiquem alguém.

A regra é a seguinte:

No final do expediente, após calcular quanto entrou e saiu de dinheiro, cada filho tem de manter certa quantia no caixa de sua loja e depositar o restante na conta do pai. Às vezes, um deles fica com menos que o necessário para esse valor mínimo. É aí que os irmãos se ajudam.

Pegam emprestado, entre eles, a quantia suficiente para cobrir a diferença e quitam o valor no dia seguinte, com juros de um dia. E fica tudo fica certo.

Amanhã, as posições de quem pega e dá o empréstimo pode se inverter. Normal. O acerto sempre é feito da mesma forma.

Afinal, o importante é manter o valor mínimo na conta e transferir o restante.

E no ajuste dessa contabilidade, assim caminha a humanidade.

Mas por que existe essa regra?

O pai sabe que os jovens adoram emprestar dinheiro para os primos, os amigos e, na verdade, a quem mais precise de grana.

A situação seria pior sem nenhum regra, ainda mais porque é na falta de limite que mora o perigo.

Vamos supor que um dos filhos, chamado João, recebeu R$ 1 mil e emprestou tudo para seu primo, Ricardo. Como se trata de alguém querido, João cobrou juros baixos para ajudá-lo

Nessa situação, os R$ 1 mil que havia no mercado, viraram R$ 2 mil. R$ 1 mil que João tem para receber, mais R$ 1 mil que agora estão com Ricardo. Porém, apenas metade dessa quantia é real, ou seja, em dinheiro vivo.

Como João não tem pressa de pegar de volta, não lhe fará falta. A grana não está mais com ele, mas representa uma dívida a receber.

O primo pega a mesma quantia e logo depois empresta a juros altos para um amigo que está enforcado. Assim, os R$ 2 mil viraram R$ 3 mil. E o milagre da multiplicação do capital pode seguir sem limites.

O problema vai surgir quando Ricardo levar um calote de seu amigo. Sem receber nada, não terá como pagar o próprio primo, porque todo o dinheiro que circulou, na verdade, não existe. Apenas os R$ 1 mil iniciais do João, que agora estão com o amigo.

Para minimizar a chance de dar algo errado com a economia da família, o pai diz, por exemplo, que deve ficar com 50% de todo o dinheiro recebido.

Então, dos R$ 1 mil que João recebeu, só pode emprestar R$ 500 para Ricardo. Este, por sua vez, só poderá emprestar R$ 250 (o pai dele ficou com a outra metade). Dessa forma, logo não haverá dinheiro para emprestar.

Assim, risco de inadimplência cai porque o montante de dinheiro em circulação é menor. Deu para entender?

Vamos trocar os personagens.

O Banco Central representa o pai, que fica com parte do dinheiro dos filhos. Já os jovens, adivinhe, são os bancos recebendo o dinheiro de todo o Brasil.

Os bancos seguem regras fixadas pelo governo

No final do dia, os bancos precisam manter na conta um valor mínimo estipulado diariamente pelo Banco Central, e depositar o restante. Se um deles não tem a quantia suficiente, pega a diferença com outra instituição financeira e devolve no dia seguinte, com juros de 1 dia.

Exatamente essa taxa diária (interbancária) que é a Selic. Ela é baixa por dois motivos. Primeiro: o prazo de pagamento é só de 24 horas. Segundo: O banco dá como garantia títulos públicos que tem em seu nome.

Quando o Banco Central aumenta a porcentagem do depósito compulsório, diminui a quantidade de dinheiro que fica com os bancos. Com menos capital em caixa, os juros cobrados pelos empréstimos são maiores, por causa da escassez de grana para oferecer.

Logo, nessa situação, a quantidade de dinheiro circulando no mercado é menor. Porque há pouco capital acessível, tanto para as pessoas comprarem, quanto para as empresas investirem.

É importante destacar que o dinheiro que fica no Banco Central continua sendo do cliente. Ele vai para uma conta especial apenas para evitar que os bancos o utilizem na liberação de mais empréstimos.

Tal ciranda financeira não para de girar e por isso publiquei um texto explicando com mais detalhes como essa taxa mexe com a sua vida.

Além de informar a porcentagem mínima e máxima cobrada pelos bancos nos últimos anos, em relação ao cheque especial e cartão de crédito, coloquei um link do Banco Central para quem quiser consultar quanto cada instituição financeira vem cobrando de juros em vários tipos de financiamentos.

Antes de fazer qualquer negócio, vale a pena pesquisar quem oferece as melhores condições de pagamento.

O que você deve fazer é analisar o que está ocorrendo e tomar decisões com base na conjuntura do mercado. Dessa forma, vai conseguir se proteger e até mesmo fazer negociações mais vantajosas.

Então, agora você já sabe o que é a taxa Selic?

Fique atento e aproveitas as oportunidades.