Educação sexual na escola é para proteger as crianças

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Banana com camisinha mostra opção de educação sexual.
A educação sexual nas escolas tem o objetivo de alertar as crianças para os perigos que possam surgir no dia a dia.

A polêmica sobre educação sexual na escola faz com que as crianças continuem bem vulneráveis em relação ao risco de sofrerem abuso ou assédio.

Sem informação adequada, elas permanecem presas fáceis de quem está só esperando surgir uma oportunidade para satisfazer seus desejos sexuais.

A maioria das famílias não fala disso em casa. Então, quem ensina essas crianças?

Veja por que é importante entender que o objetivo da escola nunca foi ensinar a fazer sexo, mas evitar que ele seja um risco.

O tabu sobre sexualidade impede a orientação preventiva

A educação sexual na escola serve para os alunos conhecerem o próprio corpo e aprenderem a perceber qualquer tentativa de abuso. Nas aulas não há malícia. O assunto é sério, apresentado de forma lúdica e num ambiente seguro. Perigoso é a criança tirar dúvidas com alguém mais velho.

Você já se perguntou por que a educação sexual nas escolas e em casa é tão importante? Não é à toa que esse tema ainda cause polêmica hoje em dia.

A sexualidade sempre foi um assunto muito cercado de tabus na sociedade e, por causa disso, evitado a qualquer custo de ser abordado de maneira natural.

Dentro de casa, por exemplo, são raras as famílias que conseguem falar com seus filhos sobre qualquer questão envolvendo as partes íntimas do corpo.

Se no próprio lar essa conversa é difícil, na escola, então, ela vira motivo de escândalo. Mas chegou a hora de olhar para tal realidade por outro ângulo.

O objetivo da educação sexual é oferecer condições seguras e apropriadas para que sejam transmitidos conhecimentos importantes a respeito da sexualidade.

Diferente do que muitas pessoas acreditam, a educação sexual não tem o intuito de ensinar a fazer sexo. Essa visão é tão limitada, quanto equivocada.

Numa aula de educação sexual aprende-se a:

  • Conhecer o próprio corpo
  • Saber quais partes do corpo outras pessoas não podem tocar
  • Prevenir a gravidez precoce
  • Evitar infecções sexualmente transmissíveis (IST)
  • Perceber quando existe abuso ou assédio sexual.

Muita gente pensa que os filhos são muito pequenos para falar sobre isso, mas centenas de crianças, mesmo sendo pequenas, sofrem abuso ou engravidam.

A educação sexual conscientiza crianças e adolescentes sobre algo com a qual vão lidar a vida inteira. Quanto antes aprenderem a se proteger em relação a qualquer risco, melhor será para eles.

A escola é um local mais seguro e adequado que as ruas

As crianças que recebem educação sexual nas escolas estão mais cientes dos riscos que correm.
As escolas são ambientes seguros para que as crianças aprendam algo sobre o próprio corpo e a como impor limites.

Falar sobre sexualidade em sala de aula é um desafio para qualquer professor. Mesmo numa época em que há mais liberdade.

Se ele estiver numa classe cheia de adolescentes com os hormônios à flor da pele, a situação é ainda mais difícil porque muitas piadinhas vão correr soltas.

É preciso ter bastante jogo de cintura, dançar conforme a música no sentido de responder as perguntas maliciosas até todos se acalmarem e verem que o assunto é sério.

Mesmo assim, a escola tem vários pontos favoráveis que colaboram na criação de um ambiente adequado à abordagem desse tema.

Ela já ajuda a criança a desenvolver hábitos saudáveis e ter cuidados desde cedo com o próprio corpo. A importância dos banhos diários e de escovar os dentes são apenas dois exemplos básicos nesse sentido.

Estar na presença de amigos e não cercada de adultos deixa a garotada mais à vontade para falar de algo que, muitas vezes, não pode tratar de maneira aberta em casa.

E quem já fala sobre isso com os pais, vê que existe outro ambiente em que é possível ter uma conversa franca. A noção de que a sexualidade faz parte da vida é ensinada logo cedo e de forma segura.

O argumento de quem é contra a educação sexual em sala de aula se baseia na ideia fixa de que a escola vai ensinar a fazer sexo.

Ao contrário disso, ela vai dar ferramentas para que as crianças se protejam em relação ao que pode prejudicá-las no que diz respeito ao sexo.

Quem deixou de ensinar o filho a não aceitar doces oferecidos por estranhos ou a nunca sair sozinho com algum adulto que ele não conheça?

A erotização infantil não ocorre dentro das salas de aula

Bailes e letras maliciosas do funk causam erotização infantil.
Letras maliciosas, encontradas por exemplo no funk, chamam a atenção porque expõe as crianças ao universo sexual.

Mais um argumento contrário à educação sexual nas escolas é o de que o tema é exclusivo da família. Porém, o que deve ser feito quando ela jamais toca no assunto? É exatamente a falta de respostas que leva a criança a procurar alguém que tire as dúvidas dela. Vai ser bem melhor se fizer isso em sala de aula.

O receio da erotização infantil é outra justificativa usada para “defender as crianças”, que serão expostas a imagens de corpos nus e de genitálias.

Tal desculpa não cola. Milhares de famílias ouvem funks com letras bastante maliciosas. Existe até a galera que prefere o funk proibidão. Normalmente, a garotada não está impedida de ouvi-lo.

A exposição a letras de músicas como essas, acompanhadas da coreografia é, no mínimo, total erotização infantil, sem falar das mensagens sexuais que são transmitidas.

Em relação a quem combate a educação sexual nas escolas e ao mesmo tempo expõe os filhos a esse tipo de canção, fica a impressão de que as músicas não representam nenhum perigo, nem são fonte de problema. Sendo assim, é preciso ter cuidado só com os professores.

Conhecer o próprio corpo ajuda a prevenir assédio e abuso sexual infantil. Quem sabe quais brincadeiras podem ou não podem serem feitas, tem mais condição de evitar que alguém se aproveite do seu corpo.

Estudo mostra resultado positivo com a educação sexual

Uma pesquisa realizada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), mostrou que onde existe educação sexual adequada, também há progresso em relação ao combate dos problemas relacionados à sexualidade. Ela mesma orienta como tratar o assunto.

Diferente do que se imagina, em alguns casos, as relações sexuais entre os jovens começaram mais tarde, em comparação a quem não teve a mesma experiência didática.

Eles ainda reduziram a frequência da atividade sexual e também diminuíram o número de relações arriscadas. Houve aumento do uso de preservativo, de métodos contraceptivos e do conhecimento sobre gravidez e infecções sexualmente transmissíveis.

Os dados mostram o quanto é positivo investir na educação sexual nas escolas. Sempre é importante ressaltar que se trata de um ambiente seguro. Lá, as dúvidas podem ser sanadas e as crianças nunca ficam sozinhas adultos.

Existem estudos provando que a educação sexual é importante ao desenvolvimento. Não se trata de algo à toa. Fique atento, pois o medo e a vergonha podem dar margem para que seus pesadelos se realizem.

Já passou da hora de quebrar esse tabu porque dar conhecimento é a melhor forma de criar crianças mais conscientes e preparadas para lidar com a vida real.

Tudo é ensinado de forma lúdica, nunca ofensiva ou traumatizante. A educação sexual nas escolas é um ato de proteção e prevenção.

Pense nisso.